11 de novembro de 2012

#23

Ainda te ouço cantar, homem
todos aqueles seus versos sincopados
como manha de criança com sono
implorando por um pedaço de doce
ou de colo

Artista de circo
não sei se acrobata ou mágico
talvez palhaço
magro, bipolar e volátil
feitiço esquivo de bruxaria cigana

carne, osso, pele e pelo
saliva e aço cirúrgico
Equilibrado geométrico
pentagrama, pentágono, estrela

E um sorriso filho da puta
Seu sorriso, homem, me molha
o  olhar.

14 de junho de 2012

Diálogo Imaginário #32

Na frente do prédio...

Eu: - Tem isqueiro?

Olhos azuis: - Não sabia que você fumava...

Eu: - Só em ocasiões especiais

Olhos azuis: - Mas é quarta-feira, duas horas da tarde, o que tem de especial nisso?



É... Me falta iniciativa, as vezes.

10 de abril de 2012

Pasárgada

Sobre minha viagem imaginária à Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do Rei. 
O caralho!
Sou amigo do Rei, mas ele não é muito meu amigo. 
As mulheres que quero, ele também quis. 
A cama, escolhi a dele, simplesmente pelo prazer de fazer o que quiser na cama do Rei. 
Mas até aí a cama já é dele, ele também a escolheu, não tem mais graça.
E por ser Rei, as mulheres que quero obviamente preferem dar pra ele. Em qualquer cama!
Péssima ideia ser amigo do Rei. Eu que devia ser Rei!
E a existência lá é uma aventura de tal modo inconsequente, inconsequente até demais.
Acabei na cama do Rei com a contraparente de Joana, mas a falsa Rainha demente, infelizmente nunca tive. 
Fui pra Pasárgada mas lá não quis saber de fazer ginástica e nem de andar de bicicleta. Detesto andar de bicicleta. Muito menos montar burro brabo e subir pau-de-sebo. Tanta coisa melhor pra fazer!
Sem contar que aqui tem tudo o que tem lá: banho de rio, processo seguro pra impedir concepção, telefone automático, alcalóide à vontade, prostitutas bonitas (que se pagar bem dá até pra chamar de mãe d'água).
No final, tudo se resume às mulheres que quiser na cama do Rei, ou em qualquer lugar. E enrabar o Rei eu não posso.
Fui pra lá, mas lá não é melhor que aqui. Nem pior. 
E ainda gastei uma grana com a passagem!
Nunca mais volto pra Pasárgada.

1 de março de 2012

Diagnósticos #1

Eu: Estou fazendo tudo errado, não?

Oráculo: Depende do referencial, mas de certo modo sim. Tua ansiedade para alcançar o futuro faz com que você queira construí-lo com peças do seu passado, peças que você mesma fez questão de colocar no fundo da gaveta. O problema é que você não entende que algumas dessas peças foram embora com a arrumação, outras foram comidas pelas traças e outras simplesmente sumiram de lá.
Talvez não seja justo cutuca-las desse jeito.
E também não tens medo do novo, muito pelo contrário. Tens preguiça, isso sim. Prefere a comodidade do que sabe que está lá, guardadinho.
És como burro de charrete, tua visão é limitada a apenas aquilo que está bem na sua frente.
Mas não, minha querida, obviamente isso não vai dar certo. Não estarão todos sempre lá, esperando que você resolva desenterrá-los apenas para tapar um buraco de mais uma de suas frustrações.

Eu: Mais uma não, é sempre a mesma.

Oráculo: Bom que você sabe.

10 de fevereiro de 2012

Sonho - 10/02

As vezes tenho medo da minha mente. Essa noite sonhei que um dos meus melhores amigos entrou na onda do "crossdressing", e usava uma saia semi-transparente, que me permitia ver detalhes da calcinha vermelha com bolinhas brancas. Conversamos bastante, foi divertido. 
Então sonhei que fazia o parto de uma gata, e depois (ou antes) disso fazia um pacto com o capeta, tomando seu sangue. O pobre ficou tonto pq eu exagerei na quantidade, e eu idem, bêbada de sangue do diabo, mas com poderes demoníacos. Quase matei o tinhoso. Minha irmã me chamava de piriguete, num pequeno surto, talvez de ciumes.
Depois (em outro sonho, já sem os poderes satânicos), tinha que buscar meu tio na rodoviária. Sabendo que ele gostava muito de torta de frango, resolvi fazer um agrado, comprei uma. Estava com uma amiga, que na verdade não sei quem era, e talvez nem conheça. Entre eu e meu tio havia uma escadaria, que eu precisava descer com a torta de frango e um carrinho pra carregar as malas. Da outra vez (???) que fiz esse mesmo percurso, com a mesma torta e o mesmo carrinho, a torta caiu, e meu tio ficou bem triste. Eu sabia que teria que ter muito cuidado para não acontecer novamente. Mas, como sou muito desastrada, aconteceu. A torta caiu no vão da escada, e eu, malandra que sou, pulei pela lateral sem que titio me visse, para resgatar a torta. Peguei do chão, e usei manteiga e ovo para remendar as casquinhas quebradas. Tio ficou muito feliz com a lembrança. 
Então encontrei com a minha amiga (aquela que não conheço), e ela me disse: "agora vamos comer a nossa torta fria!". Não entendi, e resmunguei que tinhamos comprado apenas uma torta, a que caiu. Daí ela tira uma torta da bolsa, ou de dentro da blusa, não me lembro, e diz: "eu peguei uma".
Sentamos e comemos.

Acordei e não sonhei mais.

Vai entender.